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Sem medo dos extremos

Por Carolina Leão | Fotos Sérgio Lobo

Duca Lapenda conta como abandonou o mundo dos negócios para encarar o desafio de ser chef.

Edição 34 - Revista Engenho de Gastronomia

A Engenho de Gastronomia é uma revista bimestral, feita por excelentes jornalistas gastronômicos que mostram talentosos chefs e gostosas receitas. A revista é encontrada nas bancas de Recife, João Pessoa, Maceió e em todas as Livrarias Cultura do Brasil, e pode ser assinada de qualquer lugar do Brasil.

Perfil

Os números também falam pela personalidade do chef e restauranteur Duca Lapenda. Há 10 anos, esse neto de italianos e portugueses era um obeso mórbido que, aos 35 anos, pesava 160 quilos. Diariamente, ele consumia quatro maços de mentolados Benson, ou seja oitenta unidades de cigarro a cada 24 horas. Hoje, aos 45, Duca pesa 92 quilos, após se submeter a uma cirurgia bariátrica, cuja finalidade, adianta, fora tratar a apnéia do sono e não corrigir imperfeições estéticas. “Eu era feliz. Nunca deixei de namorar ou curtir a vida por causa do meu peso”, coloca.

À frente do já estabelecido Pomodoro Café, Duca Lapenda largou o tabagismo mas não dispensa um dos seus acompanhamentos clássicos: o cafezinho. Toma de 20 a 30 xícaras por dia. E garante que tem uma saúde de leão. A decisão de largar o velho hábito, aliás, não foi motivado por ímpetos de autopreservação mas sim por conta de uma promessa. Devoto de Nossa Senhora de Fátima, o restauranteur parou de fumar quando o filho mais novo se acidentou. “Sou filho de uma mãe que ia ser freira, até quando conheceu meu pai”, revela. Homem de fé, como assim são os descendentes de italianos e portugueses, culturas que criaram e difundiram o cristianismo ao redor do mundo, Duca se diz uma personalidade de extremos, e, por isso, não sentiu a menor dificuldade em mudar padrões mantidos desde a adolescência. “Para mim, ou é calça de veludo ou é bunda de fora”, ironiza o chef.

Atualmente encarando a administração e criação de cardápio do restaurante Tapioca, recém inaugurado pertinho do Pomodoro, ele afirma que estar atento ao mercado é o que faz a diferença na hora de legitimar seu próprio negócio. E foi de forma assertiva que o chef abandonou o mundo burocrático para encarar o desafio de criar e gerir seu próprio restaurante. As viagens feitas desde a juventude ajudaram-no a elaborar seu repertório gastronômico, mas o DNA e o estreito contato cultural com as tradições italianas e portuguesas foram fundamentais para que ele chegasse ao sofisticado menu da cantina italiana Pomodoro Café: um sucesso de crítica que, curiosamente, se mantém como um dos melhores da cidade, sem muita publicidade comercial.

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