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A gênese culinária da celebrada cozinha baiana

Por Thiago Neves

Nativo da costa ocidental da África, o dendezeiro foi trazido para o Brasil nos navios negreiros durante o século 18 e logo se espalhou pela região do Recôncavo Baiano, onde se tornou o insumo símbolo da culinária baiana, dando origem ao termo "comida de dendê".

Edição 34 - Revista Engenho de Gastronomia

A Engenho de Gastronomia é uma revista bimestral, feita por excelentes jornalistas gastronômicos que mostram talentosos chefs e gostosas receitas. A revista é encontrada nas bancas de Recife, João Pessoa, Maceió e em todas as Livrarias Cultura do Brasil, e pode ser assinada de qualquer lugar do Brasil.

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Que outra cozinha brasileira está mais presente no imaginário popular dos brasileiros do que a baiana? Moqueca, acarajé, vatapá, caruru e bobó são apenas alguns exemplos de acepipes dessa culinária tão celebrada e difundida. Contudo, é importante lembrar que o que se conhece popularmente por Cozinha Baiana é a culinária elaborada em Salvador, Recôncavo e Litoral. Resultado de uma complexa teia de referências que emanam da Ásia, Europa, África e América, a origem dessa culinária se confunde com a própria formação da nação brasileira.

Durante os primeiros séculos da colonização, a cidade de Salvador deteve o posto de maior centro importador de escravos do Brasil. Mesmo após a mudança do eixo econômico do Nordeste para o Sudeste, devido à descoberta do ouro em Minas Gerais, a capital baiana continuou a receber milhões de escravos. Bantos e sudaneses – só para citar algumas etnias africanas – foram retirados à força de sua terra natal para constituírem a base da economia escravocrata do Brasil.

Posteriormente, o excesso dessa mão-de-obra e o declínio da indústria açucareira permitiram aos africanos cada vez mais exercerem ofícios fora das atividades extrativas da agropecuária. Médicos, artesãos, marceneiros, carregadores e músicos africanos exerciam papéis fundamentais na dinâmica social da cidade mais negra do Brasil. Enquanto os homens brancos dominavam a vida política, as negras comandavam as cozinhas da Bahia, introduzindo aos poucos insumos como o azeite de dendê e o gengibre, trazidos da África especialmente para atender à demanda alimentar dessa significativa parcela da população.

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